O medo que me paralisa é só um fantasma
Tenho medo de comunicar.
Fico angustiado quando tenho ou preciso de dizer algo a alguém, que imagino que não vai apreciar o que lhe direi. Na maior parte das vezes isso nem sequer é verdade, e mesmo quando é verdade, ainda que a pessoa não goste do que lhe disse, a mim nada de mal me acontece além do que possa sentir. No entanto tenho com frequência um medo paralisante destes momentos.
Faço trabalho de desenvolvimento pessoal há muitos anos, medito ainda há mais anos. Tenho o hábito e a prática de me observar, de ver de vários ângulos.
Escuto o que sinto, aceito, tento não julgar (nem sempre consigo...), mas também vejo ou procuro ver o que está por detrás do que sinto.
E esse medo paralisante de comunicar algo que talvez só a mim me seja desconfortável é um velho hábito que tenho. Um hábito para me esconder, para não me afirmar, para não dar nas vistas, para me manter em águas seguras.
Mas nadar ou vegetar em águas seguras impede-me de crescer, de expandir, de me dar, de acrescentar, de ser o que sou!
Certamente que este hábito foi-me útil no passado, em momentos de insegurança pessoal, mas já não me serve agora.
Há sempre um certo risco a correr, de outra forma estamos (estou) estagnados. Estamos (estou) vivo mas sem viver.
E isso eu não quero mais!
Nunca me aconteceu ser mais prudente não fazer ou dizer algo para me proteger, nunca senti um perigo real por dizer ou ser.
Não estou a dizer que isso não possa ser verdade para outras pessoas, ou até que não possa ser real para mim numa qualquer circunstância na vida no futuro, mas claramente o medo paralisante que sinto é só um fantasma.
Um fantasma que, felizmente, vou deixando de acreditar.